O Criador

A Revolução que mudou a história do Lusitano no Brasil.

 

Curiosamente, foi num momento conturbado da história política de Portugal, a Revolução dos Cravos, que a trajetória do Puro Sangue Lusitano no Brasil mudaria completamente. Em 1975, no auge da Revolução, quando fazendas foram tomadas, houve o risco de se perder o excelente patrimônio genético selecionado em Portugal, com as melhores linhagens da Península Ibérica. Neste momento, José Monteiro ofereceu aos criadores brasileiros o que havia de melhor no plantel, a fim de que déssemos continuidade à seleção iniciada naquele país e que poderia ser completamente perdida.

Em 1976, na intenção de salvar a seleção genética milenar da tropa de Lusitanos, Toni Pereira, Enio Monte, Asdrúbal do Nascimento Queiroz, Abel Pinho Maia Sobrinho, João Alfredo de Castilho e José Pinho Maia importaram tudo o que cabia de cavalos num avião cargueiro fretado. Assim, chegou ao Brasil, pela empresa Entre Rios, os animais da Raça Lusitana da mais alta categoria, entre eles, os garanhões Iprés, Fenício, Hiparco ― da Coudelaria Nacional ―; Herói ― de ferro Ortigão Costa ―; as éguas Havana, Ira, Navarra e Garbosa ― da Coudelaria Ervideira ―; Kalifa e Marinheira ― da Coudelaria Infante da Câmara ―; Java, Malagueta, Opala, Joaninha e Heroína ― da Coudelaria Duarte Oliveira ―; e Iaia, Marqueza, Rejusta, Rajada e Hipoteca ― da Coudelaria Nacional.

Em 1991, o Brasil celebrou um Protocolo de Reciprocidade com a Associação Portuguesa dos Criadores do Puro Sangue Lusitano (APSL), possibilitando que todos os cavalos da raça  registrados no Brasil também sejam registrados no Stud Book português e em todos os países que possuem convênio análogo com Portugal. O intercâmbio possibilitou, ainda, a mudança de nome da entidade para Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (ABPSL).

Fontes de Consulta:
Artigo de Ênio Monte sobre o Lusitano no Brasil.
Livro: Puro Sangue Lusitano – 25 Anos de ABPSL Livro: O Cavalo. Lusitano, autor: Paulo Gavião Gonzaga.